Sem Blasé
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Sobre o tal racismo velado
Essa polêmica sobre turbantes e racismo velado me fez lembrar que quando eu era criança, bem criança, estudava numa escola do subúrbio em que fui criada, que apesar de ser "particular", era bem humilde, e com a mensalidade bem barata.
Muitas pessoas pobres matriculavam seus filhos e filhas ali com medo da famigerada escola pública "cheia de marginais". Eu sempre fui muito maloqueira e conversadora, e assim que entrei nessa escola fiz amizade com todo mundo, mas quando comecei a me aproximar das crianças negras, as brancas começaram a me apelidar de "favelada".
FA-VE-LA-DO(A): aquele ou aquela que habita em favela - me explicou um adulto -. Mas eu não morava em favela, então eu pensava: "pq me chamam de favelada?". Bom, só vim entender isso muito mais tarde, quando compreendi o conceito de racismo e me liguei que eu sou branca e no que isso implica. Minha pele é clara, e aquelas crianças não podiam me chamar de "nêga" como chamavam as outras, de forma pejorativa, porque apesar de crianças, elas sabiam discernir cor. Então pra tentar me "ofender" e dizer que eu era "feito aqueles nêgo", me chamavam "favelada".
E a "tia" parda da escola, o que fazia?! Ela morria de rir. Achava graça. Tirava por "coisa de criança". Mas a atitude daquelas crianças nunca foi "coisa de criança". Era coisa de adulto. Era coisa da história injusta desse país. O racismo é tão aceito que essas atitudes passam despercebidas na vida das pessoas brancas e até das negras. Não acho que aquelas crianças eram maliciosamente racistas. Tínhamos entre 6 e 8 anos de idade. Mas como criança brinca de imitar os adultos, reproduz também o pior deles: egoísmo e preconceito.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Casamento, feminismo e luta pela igualdade.
Como muitos sabem, me casei. Diante do casamento, me vi no meio da discussão feminista sobre luta e militância por igualdade social, onde muitas mulheres, quando se casam, dentro do próprio reduto feminista passam a se sentir - inclusive estimulada por outras feministas - menos feminista.
Eu não.
Não é porque me casei que aceitei ser a mulher de um homem.
Eu sou a companheira do meu companheiro, a parceira do meu parceiro, e a amiga do meu amigo, que além disso tudo, agora também é meu esposo. E pra ser feminista eu não tenho que ser solteira, nem lésbica, nem odiar os homens, ou repugnar o matrimônio. Pra ser feminista, primeiro, eu tenho que ser MULHER, depois, tenho que ter SORORIDADE, e por último, querer a IGUALDADE das relações de gênero na sociedade.
E pra ser militante tenho que lutar pela erradicação da opressão machista em cima dos nossos corpos, da nossa sexualidade, do nosso trabalho, e das nossas relações afetivas.
Algumas pessoas vieram me falar sobre o que fazer e como agir dentro do meu papel de esposa pro meu casamento "durar".
Tudo que falaram era servidão, resignação, submissão, e aceitação do destino fadigo de ser mulher:
"Você é a mulher da relação. Obedeça seu homem. Ceda. Seja uma ótima dona de casa, porque isso é obrigação da mulher. Tenha filhos. Seja um boa mãe...".
Queria dizer a essas e outras pessoas, que eu trabalho e estudo tanto quanto meu esposo (assim como a maioria das mulheres contemporâneas), e tenho convicção que essa cultura machista que de a mulher tem que "cuidar do lar" ou "ser mãe" mesmo sem querer, não é correta. E sabe por que não é correta? Porque não é o que eu quero fazer. Mesmo que eu fosse uma mulher que não fizesse nada da vida, eu não era obrigada a fazer NADA disso, nem por força nem por indução social. E graças ao bom senso que cada um tem (ou não) dentro de si, meu esposo é um cara que jamais pedirei nem esperaria isso de mim. Pelo contrário: ele é um ótimo dono de casa! Melhor do que eu poderia ser, caso quisesse. Mas eu não quero ser dona de casa. Eu não quero ser mãe.
E o feminismo se trata disso: mulher fazendo suas próprias escolhas: sexuais, familiares, trabalhistas, indumentárias, trajetórias...
Escolhas sem opressão. Sem medo. Sem imposição.
Feminismo é a relação de busca entre a mulher e a liberdade que ela deseja, e que o homem já tem, não por ser melhor, mas por ser historicamente opressor.
Podem até me dizer o que fazer... digam à vontade! Mas eu só faço O QUE EU QUISER, E NA HORA QUE EU QUISER.
Porque no meu corpo imperam as minhas regras, na minha vida imperam as minhas escolhas, na minha sexualidade imperam as minhas vontades, e nas minhas decisões imperam as minhas necessidades.
EU NÃO SOU OBRIGADA. A NADA. Nem você que está lendo esse texto, companheira. É isso, e seguimos na luta!
#Feminismo #Igualdade #MachistasNãoPassarão
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Foram 33 homens machistas brasileiros, não monstros.
27 de maio de 2016
Quando todos se perguntam como NENHUM dos 33 homens foi Ser humano suficiente para se opor ao estupro coletivo da moça no RJ, lembrem-se que o machismo é uma patologia cultural que age coercitivamente PRINCIPALMENTE sobre o homem (posto que mulher também reproduz machismo).
O fato é que essa coerção coletiva se deu de uma forma que NENHUM dos 33 homens olhou para aquela mulher e enxergou um Ser humano! "Era só uma mulher", "era só uma vagina pra foder", "era só um corpo a se usufruir", e não um Ser humano.
Mas acima de tudo, não são esses 33 homens que tem que morrer, como muita gente desejou nas redes sociais. É a cultura patriarcal e machista que tem que acabar!
E para quem tem chamado esses 33 homens de monstros: esses 33 malditos homens não são monstros, SÃO 33 MALDITOS HOMENS MACHISTAS BRASILEIROS!!!
Entenderam a merda?!
Quando todos se perguntam como NENHUM dos 33 homens foi Ser humano suficiente para se opor ao estupro coletivo da moça no RJ, lembrem-se que o machismo é uma patologia cultural que age coercitivamente PRINCIPALMENTE sobre o homem (posto que mulher também reproduz machismo).
O fato é que essa coerção coletiva se deu de uma forma que NENHUM dos 33 homens olhou para aquela mulher e enxergou um Ser humano! "Era só uma mulher", "era só uma vagina pra foder", "era só um corpo a se usufruir", e não um Ser humano.
Mas acima de tudo, não são esses 33 homens que tem que morrer, como muita gente desejou nas redes sociais. É a cultura patriarcal e machista que tem que acabar!
E para quem tem chamado esses 33 homens de monstros: esses 33 malditos homens não são monstros, SÃO 33 MALDITOS HOMENS MACHISTAS BRASILEIROS!!!
Entenderam a merda?!
Terrorismo, mídia e compaixão seletiva
Fico aguardando o dia em que o Facebook vai criar um avatar de luto
pelas vítimas de atentados terroristas no oriente médio assim como criam
pelas vitimas europeias.
250 mortes em Bagdá provocadas pelo Estado Islâmico! Cadê o horror das pessoas diante disso?!
Aí penso como o modus operandi da mídia é infeliz: o Oriente Médio é a região mundial que mais sofre com terrorismo, mas a compaixão e a repercussão dos casos é extremamente seletiva. Só a Europa é digna do nosso sentimento de horror aos atentados que sofre.
Ano passado, um pouco depois do atentado na França, houve um na Nigéria que inclusive deixou muito mais mortos. Qual foi a relevância dessa tragédia? Quase nenhuma. A notícia ficou abafada pelos posts de luto pelos europeus, pelos avatares de bandeiras da França na foto do perfil, pelas manchetes envolvendo o caso francês... por que dar importância aos nigerianos? Afinal, são só africanos, pretos, pobres e marginalizados que estão morrendo. O mesmo modo de pensar se estende ao Oriente Médio.
Esse processo infeliz de seleção informativa midiática que envolve hegemonia cultural e preconceitos acaba culminando nos corações das pessoas, as deixando alienadas e ao mesmo tempo, cruéis.
250 mortes em Bagdá provocadas pelo Estado Islâmico! Cadê o horror das pessoas diante disso?!
Aí penso como o modus operandi da mídia é infeliz: o Oriente Médio é a região mundial que mais sofre com terrorismo, mas a compaixão e a repercussão dos casos é extremamente seletiva. Só a Europa é digna do nosso sentimento de horror aos atentados que sofre.
Ano passado, um pouco depois do atentado na França, houve um na Nigéria que inclusive deixou muito mais mortos. Qual foi a relevância dessa tragédia? Quase nenhuma. A notícia ficou abafada pelos posts de luto pelos europeus, pelos avatares de bandeiras da França na foto do perfil, pelas manchetes envolvendo o caso francês... por que dar importância aos nigerianos? Afinal, são só africanos, pretos, pobres e marginalizados que estão morrendo. O mesmo modo de pensar se estende ao Oriente Médio.
Esse processo infeliz de seleção informativa midiática que envolve hegemonia cultural e preconceitos acaba culminando nos corações das pessoas, as deixando alienadas e ao mesmo tempo, cruéis.
Um convite aos homens brasileiros (e consequentemente machistas)!
Depois do caso dos 33 homens brasileiros machistas drogarem e estuprarem uma
garota, vi vários caras no Facebook trocando a foto do perfil pela
da luta contra a cultura do estupro.
Bem, gostaria de compartilhar com você, homem brasileiro (e consequentemente machista) a amplitude do conceito de estupro, e dizer não se trata apenas de penetração sem consentimento, mas, que, principalmente a cultura do estupro advém de práticas que objetificam o corpo da mulher, que depreciam a mesma, que oprime sua sexualidade e exerce autoridade sobre ela, como por exemplo chamar a mulher de puta porque ela transou no primeiro encontro ou porque tomou a atitude de chegar no cara primeiro. Proibir a companheira de sair com as amigas ou sozinha, fazer chantagens, manipular, diminuir, agredir verbalmente, beijar sem ela estar afim ou consciente, tocar nela à força, alisar sem aval, divulgar/mostrar fotos íntimas dela sem permissão, buzinar ou fazer "fiu fiu" pra ela na rua... essas atitudes horríveis, violentas, desrespeitosas, invasivas, pejorativas, abusivas, são parte da cultura de estupro também. são parte do machismo que mata milhares de mulheres no Brasil e no mundo todos os dias!
O corpo da mulher não é um objeto de legitimação da masculinidade do homem, muito menos propriedade dele, ou instrumento de poder para afirmação do autoritarismo patriarcal! O corpo da mulher é somente dela, e deve apenas se submeter às regras dela, sem julgamentos alheios ou repressão, sem depreciação, sem violência física ou psicológica!
Muitos desses homens machistas brasileiros que trocaram a foto do perfil e se incomodaram/indignaram com a atitude dos 33 homens cariocas, são produtores ativos da cultura do estupro, mesmo tendo ao seu redor uma gama de informação que os fazem saber que isso não é correto, que é desumano, que é cruel, e ainda assim praticam a cultura do estupro e coerção psicológica, agridem moralmente a mulher, e às vezes fisicamente, com empurrões, puxões fortes e etc.
Convido você, homem machista brasileiro, a uma reflexão das suas atitudes para com o sexo feminino! REFLITA. TENHA EMPATIA!
Acredito que nem todos os homens do Brasil são maus, mas todos são machistas! E nada de bom pode advir do machismo.
Machismo machuca. machismo mata.
Bem, gostaria de compartilhar com você, homem brasileiro (e consequentemente machista) a amplitude do conceito de estupro, e dizer não se trata apenas de penetração sem consentimento, mas, que, principalmente a cultura do estupro advém de práticas que objetificam o corpo da mulher, que depreciam a mesma, que oprime sua sexualidade e exerce autoridade sobre ela, como por exemplo chamar a mulher de puta porque ela transou no primeiro encontro ou porque tomou a atitude de chegar no cara primeiro. Proibir a companheira de sair com as amigas ou sozinha, fazer chantagens, manipular, diminuir, agredir verbalmente, beijar sem ela estar afim ou consciente, tocar nela à força, alisar sem aval, divulgar/mostrar fotos íntimas dela sem permissão, buzinar ou fazer "fiu fiu" pra ela na rua... essas atitudes horríveis, violentas, desrespeitosas, invasivas, pejorativas, abusivas, são parte da cultura de estupro também. são parte do machismo que mata milhares de mulheres no Brasil e no mundo todos os dias!
O corpo da mulher não é um objeto de legitimação da masculinidade do homem, muito menos propriedade dele, ou instrumento de poder para afirmação do autoritarismo patriarcal! O corpo da mulher é somente dela, e deve apenas se submeter às regras dela, sem julgamentos alheios ou repressão, sem depreciação, sem violência física ou psicológica!
Muitos desses homens machistas brasileiros que trocaram a foto do perfil e se incomodaram/indignaram com a atitude dos 33 homens cariocas, são produtores ativos da cultura do estupro, mesmo tendo ao seu redor uma gama de informação que os fazem saber que isso não é correto, que é desumano, que é cruel, e ainda assim praticam a cultura do estupro e coerção psicológica, agridem moralmente a mulher, e às vezes fisicamente, com empurrões, puxões fortes e etc.
Convido você, homem machista brasileiro, a uma reflexão das suas atitudes para com o sexo feminino! REFLITA. TENHA EMPATIA!
Acredito que nem todos os homens do Brasil são maus, mas todos são machistas! E nada de bom pode advir do machismo.
Machismo machuca. machismo mata.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Humanismo não é igualdade!
minha gente, humanismo como sinônimo de igualdade NÃO EXISTE!
aqui vai uma analogia bem simples:
quando se trata de questões de gênero, ser "humanista" é tipo não ter posicionamento político na conjuntura atual do país, e só dizer: "nenhum político presta e que se foda todo mundo!" como se isso fosse ajudar a resolver os problemas sociais do Brasil ou trazer consciência política pros cidadãos.
a mesma coisa é dizer: "não sou feminista nem machista, sou humanista". humanismo, pra dimensão das desigualdades de gênero que enfrentamos ao longo da história, é ser imparcial e não reconhecer o feminismo como resistência a cultura patriarcal que sempre violentou e oprimiu as mulheres!
é tipo ser contra cotas raciais justificando que "não há igualdade nelas", e fechar os olhos pra discriminação social, marginalização, extermínio, escravidão, entre outras formas de repressão, supressão e humilhação que os negros são vítimas desde sempre
aí eu escuto uns caras e até umas minas falarem: "sou humanista. feminismo é o novo machismo!" e fico me perguntando qual é o nível de propriedade moral e intelectual que essas pessoas tem para dizerem isso?
o feminismo luta pela igualdade de gênero, não pela superioridade de gênero, que é o que machismo dissemina! já o femismo, por sua vez, é o sinônimo do machismo (ao mesmo tempo que é seu oposto), aí sim, se trata de uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. o femismo, assim como o machismo, prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual, baseada em um regime matriarcal.
então antes de defender humanismo como igualdade de gênero, conheça DE FATO o conceito de feminismo!
nós, mulheres não devemos engolir o discurso de humanismo como defensor de igualdade e justiça social para os gêneros!
os homens sempre fizerem o que quiserem conosco na história das civilizações ocidentais e na grande maioria dos outros continentes, e usam até hoje o controle do nosso sexo como instrumento de legitimação da hegemonia machista.
o feminismo não pode ser reconhecido como uma ramificação do machismo, porque não é por isso que a gente luta! PORQUE NÃO É ISSO QUE O FEMINISMO É!
o feminismo luta por nossos direitos, por equivalência social, uniformidade, e não por imperialismo.
mulher tem direito de ganhar o mesmo salário que um homem, mulher tem direito de andar sem camisa sem ser sexualizada, de usar a roupa que quiser sem ser assediada, de sair nas ruas sem medo de estupro e outros tipos de violência, de ter a liberdade de uso do seu próprio sexo e não ser depreciada, e ter o domínio sobre seu corpo e fazer suas escolhas quanto ao mesmo.
MULHER TEM O DIREITO DE FAZER O QUE QUISER!
(claro, levando em consideração o código penal e a constituição, mas sempre lutando pela modificação das leis em prol dos nossos direitos e necessidades.)
por esses e muitos outros motivos que devemos que gritar juntas:
mulher faz o quê? O QUE QUISER!
mulher faz o quê? O QUE QUISER!
mulher faz o quê? O QUE QUISER!
bom dia!
ah! e #MachistasNãoPassarão!
terça-feira, 29 de março de 2016
Desabafo gastro-político
sinto um cheiro podre vindo dos noticiários, TVs, revistas, bocas e prédios públicos.
o nome disso é "política estragada" e "políticos de merda".
não tem como cheirar bem. essa coisa toda tem deixado a gente puto!
a mídia só fala em impeachment pra cá, lava jato pra lá, e as lavagens cerebrais comendo no centro,
comendo os juízos, comendo o bom senso!
uma banda da laranja quer foder a democracia enquanto a outra luta, mas com o cu na mão,
porque sabe que o que é público não está nem de longe nas melhores mãos.
vivemos aquele dilema: como fazer pra acreditar ou apoiar o Estado
como entidade representadora dos interesses sociais quando sua história constitui as façanhas
da maior organização criminosa de todos os tempos?
sim, porque é isso que o Estado é: uma superfacção!
nunca foi solução efetiva pros problemas da modernidade.
aí penso: "Leviatã é o caralho!" e fico só no anarquismo das ideias.
mas o que somos sem ele? tem que haver.
e já que tem, e que é desse jeito (deficiente), que traga consigo dos males o menor.
por isso - e tão só por isso - não queremos deixar que dilacerem o pouco que conseguimos construir,
mesmo sendo tão frágil, tão fodida, tão forjada, essa democracia que ainda está entalada na goela da gente, que dói pra descer, que é indigesta, mas que é o que temos.
é nela que devemos nos agarrar, porque ela é primeiro passo para que um dia, quem sabe, possamos calcar a política ideal da grande maioria.
enquanto isso, quem não engole o golpe passa o dia com refluxo mental,
náusea intelectual e enjoo ideológico... psicossomáticos de quem tem medo de ver se repetir mais
um atentado político-partidário-elitista-terrorista ser cometido nesse país.
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