quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Casamento, feminismo e luta pela igualdade.
Como muitos sabem, me casei. Diante do casamento, me vi no meio da discussão feminista sobre luta e militância por igualdade social, onde muitas mulheres, quando se casam, dentro do próprio reduto feminista passam a se sentir - inclusive estimulada por outras feministas - menos feminista.
Eu não.
Não é porque me casei que aceitei ser a mulher de um homem.
Eu sou a companheira do meu companheiro, a parceira do meu parceiro, e a amiga do meu amigo, que além disso tudo, agora também é meu esposo. E pra ser feminista eu não tenho que ser solteira, nem lésbica, nem odiar os homens, ou repugnar o matrimônio. Pra ser feminista, primeiro, eu tenho que ser MULHER, depois, tenho que ter SORORIDADE, e por último, querer a IGUALDADE das relações de gênero na sociedade.
E pra ser militante tenho que lutar pela erradicação da opressão machista em cima dos nossos corpos, da nossa sexualidade, do nosso trabalho, e das nossas relações afetivas.
Algumas pessoas vieram me falar sobre o que fazer e como agir dentro do meu papel de esposa pro meu casamento "durar".
Tudo que falaram era servidão, resignação, submissão, e aceitação do destino fadigo de ser mulher:
"Você é a mulher da relação. Obedeça seu homem. Ceda. Seja uma ótima dona de casa, porque isso é obrigação da mulher. Tenha filhos. Seja um boa mãe...".
Queria dizer a essas e outras pessoas, que eu trabalho e estudo tanto quanto meu esposo (assim como a maioria das mulheres contemporâneas), e tenho convicção que essa cultura machista que de a mulher tem que "cuidar do lar" ou "ser mãe" mesmo sem querer, não é correta. E sabe por que não é correta? Porque não é o que eu quero fazer. Mesmo que eu fosse uma mulher que não fizesse nada da vida, eu não era obrigada a fazer NADA disso, nem por força nem por indução social. E graças ao bom senso que cada um tem (ou não) dentro de si, meu esposo é um cara que jamais pedirei nem esperaria isso de mim. Pelo contrário: ele é um ótimo dono de casa! Melhor do que eu poderia ser, caso quisesse. Mas eu não quero ser dona de casa. Eu não quero ser mãe.
E o feminismo se trata disso: mulher fazendo suas próprias escolhas: sexuais, familiares, trabalhistas, indumentárias, trajetórias...
Escolhas sem opressão. Sem medo. Sem imposição.
Feminismo é a relação de busca entre a mulher e a liberdade que ela deseja, e que o homem já tem, não por ser melhor, mas por ser historicamente opressor.
Podem até me dizer o que fazer... digam à vontade! Mas eu só faço O QUE EU QUISER, E NA HORA QUE EU QUISER.
Porque no meu corpo imperam as minhas regras, na minha vida imperam as minhas escolhas, na minha sexualidade imperam as minhas vontades, e nas minhas decisões imperam as minhas necessidades.
EU NÃO SOU OBRIGADA. A NADA. Nem você que está lendo esse texto, companheira. É isso, e seguimos na luta!
#Feminismo #Igualdade #MachistasNãoPassarão
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