sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Sobre o tal racismo velado
Essa polêmica sobre turbantes e racismo velado me fez lembrar que quando eu era criança, bem criança, estudava numa escola do subúrbio em que fui criada, que apesar de ser "particular", era bem humilde, e com a mensalidade bem barata.
Muitas pessoas pobres matriculavam seus filhos e filhas ali com medo da famigerada escola pública "cheia de marginais". Eu sempre fui muito maloqueira e conversadora, e assim que entrei nessa escola fiz amizade com todo mundo, mas quando comecei a me aproximar das crianças negras, as brancas começaram a me apelidar de "favelada".
FA-VE-LA-DO(A): aquele ou aquela que habita em favela - me explicou um adulto -. Mas eu não morava em favela, então eu pensava: "pq me chamam de favelada?". Bom, só vim entender isso muito mais tarde, quando compreendi o conceito de racismo e me liguei que eu sou branca e no que isso implica. Minha pele é clara, e aquelas crianças não podiam me chamar de "nêga" como chamavam as outras, de forma pejorativa, porque apesar de crianças, elas sabiam discernir cor. Então pra tentar me "ofender" e dizer que eu era "feito aqueles nêgo", me chamavam "favelada".
E a "tia" parda da escola, o que fazia?! Ela morria de rir. Achava graça. Tirava por "coisa de criança". Mas a atitude daquelas crianças nunca foi "coisa de criança". Era coisa de adulto. Era coisa da história injusta desse país. O racismo é tão aceito que essas atitudes passam despercebidas na vida das pessoas brancas e até das negras. Não acho que aquelas crianças eram maliciosamente racistas. Tínhamos entre 6 e 8 anos de idade. Mas como criança brinca de imitar os adultos, reproduz também o pior deles: egoísmo e preconceito.
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