quarta-feira, 6 de julho de 2016

Terrorismo, mídia e compaixão seletiva

Fico aguardando o dia em que o Facebook vai criar um avatar de luto pelas vítimas de atentados terroristas no oriente médio assim como criam pelas vitimas europeias.
250 mortes em Bagdá provocadas pelo Estado Islâmico! Cadê o horror das pessoas diante disso?!
Aí penso como o modus operandi da mídia é infeliz: o Oriente Médio é a região mundial que mais sofre com terrorismo, mas a compaixão e a repercussão dos casos é extremamente seletiva. Só a Europa é digna do nosso sentimento de horror aos atentados que sofre.
Ano passado, um pouco depois do atentado na França, houve um na Nigéria que inclusive deixou muito mais mortos. Qual foi a relevância dessa tragédia? Quase nenhuma. A notícia ficou abafada pelos posts de luto pelos europeus, pelos avatares de bandeiras da França na foto do perfil, pelas manchetes envolvendo o caso francês... por que dar importância aos nigerianos? Afinal, são só africanos, pretos, pobres e marginalizados que estão morrendo. O mesmo modo de pensar se estende ao Oriente Médio.
Esse processo infeliz de seleção informativa midiática que envolve hegemonia cultural e preconceitos acaba culminando nos corações das pessoas, as deixando alienadas e ao mesmo tempo, cruéis.

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